quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A mãe da mãe do meu avô materno ...: uma genealogia matrilinear


A mãe da mãe de meu avô materno...: uma genealogia matrilinear

Autoria de
Diego de Leão Pufal

[dúvidas, acréscimos e correções, escreva para
diegopufal@gmail.com]

[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: PUFAL, Diego de Leão. A mãe da mãe de meu avô materno ...: uma genealogia matrilinear, in blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/]

[publicado em 31/01/2018]

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Dando seguimento à publicação anterior, em que veiculei a minha genealogia matrilinear, hoje abordo a linha ancestral feminina de meu avô materno.
Curiosamente ou não, a origem matrilinear de meus avós maternos – o que foi possível apurar por meio da documentação – é a mesma: ilha do Faial, Açores, Portugal. Os sobrenomes relacionados em ambas genealogias indicam por certo que eram todos aparentados, embora não tenha conseguido encontrar a ligação, pela ausência dos documentos mais antigos.
Não há como deixar de registrar a importância de desbravar a linha materna de cada um, como forma de resgatar os sobrenomes de cada antepassada, pois se perdem, em regra, a cada casamento. Além disso, a pesquisa genealógica por varonia é geralmente óbvia, considerando que o sobrenome que levamos se repete por gerações, com algumas exceções, como é o caso de muitas famílias lusitanas.
Nesse sentido, consegui retroceder 14 gerações, contando com a minha, descobrindo sobrenomes familiares que uma pesquisa patrilinear jamais revelaria, além de parentescos inesperados. Do mesmo modo, embora para alguns leigos em genealogia, ainda que eu não leve estes sobrenomes em meu nome, não deixo de pertencer às famílias respectivas das minhas antepassadas.
Assim que, como resgate histórico genealógico, abordo a linha matrilinear de meu avô materno:

1. AURÉLIA ALBERNAZ(S) ou ALVERNAZ(S), nascida cerca de 1620 em Pedro Miguel, na ilha do Faial, Açores e já falecida a 27/07/1659, quando do casamento do filho João Duarte. Aurélia casou-se com SEBASTIÃO DUARTE, nascido por volta de 1610/1620 na freguesia de Pedro Miguel, ilha do Faial, onde a 27/07/1659 também já era falecido. Este casal gerou no mínimo 4 filhos: Aurélia Alvernaz, Maria Luís, João Duarte e Francisco Alvernaz Duarte. Dentre estes, destaco:
2. AURÉLIA ALBERNAZ(S) ou ALVERNAZ(S) ou, ainda, AURÉLIA LUÍS, nascida por volta de 1640/1645 em Pedro Miguel, ilha do Faial, onde em 23/04/1703 já era falecida. Casou a 07/06/1661 no mesmo local com ANTÔNIO FURTADO DE MENDONÇA DA SILVEIRA, nascido cerca de 1640 na freguesia da Ribeirinha, ilha do Faial e falecido depois de 1703, filho de Manuel da Silveira Goulart e Francisca de Medeiros, cujos ancestrais não consegui descobrir. O casal gerou no mínimo 5 filhos: um com nome ilegível, Domingos, Antônio, Bárbara e:
3. MARIA PEREIRA DA SILVEIRA, batizada a 25/10/1673 em Pedro Miguel, ilha do Faial, onde faleceu a 30/09/1744, tendo sido seu corpo foi envolvo em hábito de São Francisco e "acompanhado com o colegio, cruzes e pendoens de todos desta Igreja excepto a crus de São Pedro esta enterrada entre as grades para a parte do Sul, seo marido lhe mandou fazer hú [um] officio de corpo prezente e lhe mandou dizer quarenta missas ...” (sic). Casou na igreja de N. Sra. da Ajuda da mesma freguesia a 23/04/1703 com AMARO GONÇALVES, ali batizado a 08/08/1682 e falecido a 20/04/1767, com cerca de 85 anos, viúvo, sem os sacramentos "por ser sua morte inesperada foi seu corpo acompanhado a sepultura com o nosso Collegeo todas as cruzes e Pendoez, era Irmão dos quarente e outo do Santíssimo. Sacramento e das Almas", tendo sido seu corpo sepultado no corredor da igreja da parte do sul, abaixo da grade. Não fez testamento "nem tinha de que o fazer", sua filha Mécia Rosa lhe mandou celebrar as missas "que coubera na sua pobresa" (sic). Amaro foi filho de Mateus Alvernaz(s)/Albernaz(s) e Isabel Gonçalves, neto paterno de Antônio Alvernaz e Maria da Terra, naturais e moradores que foram de Pedro Miguel, e neto materno de Amaro Gonçalves, de quem tomou o nome, e de Maria Rodrigues, naturais da freguesia das Bandeiras, da ilha do Pico. Maria e Amaro tiveram ao menos cinco filhos: Teresa de Jesus, Mécia Rosa, Antônio, Mateus e:
4. FRANCISCA DA TRINDADE, nascida por volta de 1708 em Pedro Miguel, ilha do Faial, onde faleceu a 18/09/1746, com 38 anos “pouco mais ou menos”, tendo sido sepultada no interior da igreja de N. Sra. da Ajuda, debaixo do tabernáculo defronte às portas travessas mais para a parte do norte. Casou no mesmo local a 24/05/1728 com JOSÉ LUÍS DE GOUVEIA, nascido por volta de 1705 na freguesia do Almoxarife, ilha do Faial, filho de José Luís de Gouveia e Ana da Rosa, nascidos respectivamente por volta de 1685/1690 na Praia do Almoxarife e na freguesia dos Flamengos. Francisca e José Luís foram pais de: Raimundo, Teresa Inácia da Trindade, Jorge da Terra, Raimundo, Francisco, Francisco e:
5. ANA DA TRINDADE, batizada a 17/12/1732 em Pedro Miguel, ilha do Faial, onde faleceu a 27/07/1797, sem testamento, sendo seu corpo envolvo em hábito de N. Sra. do Carmo e sepultada no interior da igreja de N. Sra. da Ajuda. Casou no mesmo local a 04/02/1760 com JOAQUIM DE FARIA, ali nascido a 02/02/1738 e falecido a 28/03/1807, filho de Felipe de Faria e Maria Luís, nascidos em Pedro Miguel em 1703 e 1711, neto paterno de Antônio de Faria e Maria Rodrigues de Faria e neto materno de Pascoal Vieira e Maria Luís. Joaquim e Ana tiveram ao menos 4 filhos: José, José, Antônio Joaquim de Faria e:
6. TERESA DA TRINDADE, nascida a 03/04/1763 em Pedro Miguel, ilha do Faial e falecida a 31/07/1835 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, conforme o inventário de seus bens. Teresa emigrou para o Brasil com o marido e filhos em meados de 1800, estabelecendo-se em Porto Alegre. Casou-se em Pedro Miguel a 23/08/1789 com ANTÔNIO JOSÉ FERREIRA, nascido no mesmo local a 10/05/1763 e falecido a 17/06/1845 em Porto Alegre/RS, Brasil, filho de Antônio José (nascido por volta de 1730 na Praia do Almoxarife ou em Pedro Miguel) e de Clara Jacinta (nascida em 1739 na Praia do Almoxarife), neto paterno de Antônio Alvernaz(s)/Albernaz(s) e Maria da Luz e neto materno de Manuel Pereira e Domingas de Santo Antônio. 
Vista da cidade da Horta, na ilha do Faial.
Fotografia de Diego de Leão Pufal, tirada em 05/2016.
Teresa e Antônio tiveram os filhos: José Antônio Ferreira, Jacinto Antônio Ferreira, Antônio José Ferreira, Manuel Antônio da Silva e:
7. ANA TERESA DE JESUS, nascida a 05/06/1790 em Pedro Miguel, ilha do Faial, e falecida a 02/04/1866 em Taquari, no Rio Grande do Sul, Brasil, para onde emigrou em torno de 1800 com seus pais e irmãos. Casou a 1º/05/1811 na igreja de N. Sra. da Madre de Deus de Porto Alegre (Catedral) com ANTÔNIO INÁCIO DA COSTA, nascido por volta de 1785 em Magé/RJ e falecido a 28/04/1843 em Taquari/RS, aos 61 anos, de morte repentina e foi sepultado na igreja local, filho de João Inácio da Costa (nascido em 1756 na cidade da Horta, ilha do Faial, Açores) e de Catarina Antônia de Santa Rita ou Catarina Antônia Tomásia (nascida em 1760 na Horta, ilha do Faial), neto paterno de Antônio da Costa e Teresa da Boa Nova e neto materno de Manuel Pereira da Terra ou Manuel Pereira Galinha e de Maria Jacinta, faialenses.
O casal de Antônio e Ana conseguiu amealhar algum patrimônio durante suas vidas, como demonstram os processos de inventário de seus bens. O de Antônio foi autuado em 1866 em Taquari (APERS), depois de mais de vinte anos de sua morte, sendo inventariante a viúva, cuja partilha se deu de forma amigável entre os herdeiros. Foram arrolados oito escravos: Manuel, de 50 anos; Maria, de 50 anos, adoentada; Inácia, de 34 anos; Alexandra, de 34 anos; Lucindo, de 8 anos; Firmino, de 6 anos; Elias, de 5 anos e Constança, de 2 anos; umas terras de plantação entre a Barra do Riacho e o rio Taquari, com cerca de 147 braças de frente, à margem da estrada que seguia ao Passo do referido riacho e ao Passo Geral do mesmo rio, com fundos ao mesmo; uma pequena tira de terras em seguimento das acima ditas e um prolongamento do rio Taquari até uma sanga denominada Sanga Rosa; uma pequena casa de moradia, em mau estado, na rua que da Vila seguia para a praia, com o terreno que lhe corresponde da frente ao fundo, correspondendo mais dez palmos a leste para um portão, acompanhando os mesmos fundos; um terreno a leste na propriedade acima, com 120 palmos de frente e com fundos igual àquele e um terreno ao oeste da casa de moradia com 130 palmos de frente com os mesmos fundos do acima.
Ana Teresa de Jesus fez seu testamento aos 25/03/1866 em sua casa em Taquari/RS (APERS), para onde o tabelião se dirigiu, encontrando-a de “cama doente, porem em seu perfeito juízo e claro entendimento”, declarando que era católica, que tinha 79 anos, viúva de Antônio Inácio da Costa, de cujo matrimônio existiam três filhas vivas, por nomes Inocência, Felicidade e Felisbina. Deixou a terça de seus bens em favor das filhas Inocência e Felicidade, “pelo muito que lhes tem feito e servido, tratando-as com amor e carinho”. Após outras disposições testamentárias, as declarações foram lidas e aceitas por Ana Teresa, que por não saber ler e nem escrever, pediu a Leandro Ribeiro que assinasse a seu rogo. Depois de uma semana de seu testamento, Ana faleceu de morte natural, aos 79 anos e foi sepultada no cemitério de Taquari/RS.
Por ocasião do inventário de seus bens, autuado em 06/07/1868 também em Taquari (APERS) foram arrolados os bens seguintes: uma casa de morada com 30 palmas de frente, cozinha e um terreno com 10 palmas de frente, onde estava edificado um portão e mais benfeitorias;  um terreno pegado ao lado da casa a oeste, com 130 palmos de frente e fundos a uma sanga; um outro terreno com 120 palmos de frente e fundos a mesma sanga, cujo terreno se divide a leste com o terreno onde está edificado o portão; um terreno além do arroio do Riacho com 100 braças de frente ao Rio Taquari; um outro pegado ao mesmo acima com 113 braças de frente ao Rio Taquari, com cercado e dois escravos: Elias, de 7 anos, e Constância, com 5 anos mais ou menos.
Ana Teresa de Jesus e Antônio Inácio da Costa tiveram seis filhos: Jacinta, João Inácio da Costa, Felicidade Antônia da silva, Inocência Antônia da Silva, Eleutério da Costa e:
8. FELISBINA ANTÔNIA DA COSTA (em alguns registros consta como ALBINA ANTÔNIA DA COSTA), nascida a 28/06/1825 em Taquari/RS e falecida a 1º/03/1914 em São Leopoldo/RS, onde casou a 14/11/1865, pouco antes do falecimento de seu marido, com quem viveu durante anos, legitimando a relação tempos depois. Seu marido foi JEAN CHARLES POMPÉE DÉMOLY ou João Carlos Pompeu Demoly, nascido a 23/10/1807 em Ile d´Yeu, Vendée, Pays de la Loire, França, e falecido a 24/06/1866 em Porto Alegre/RS, filho de Jean Démoly e Marie Rose Aurore Moizeau. Sobre este meu antepassado francês, Jean Charles, já escrevi dois artigos sobre sua vida e obras, tendo disponibilizado parte do primeiro neste blog, o qual pode ser consultado em http://pufal.blogspot.com.br/2008/08/jean-charles-pompe-demoly-e-sua.html. O casal teve quatro filhos: João Carlos Pompeu Demoly, Maria Isabel Demoly, Rosa Demoly e:
9. MARIA ESTELA DEMOLY, nascida cerca de 1860/1861 em São Leopoldo/RS e falecida a 1º/05/1920 em Porto Alegre/RS. Casou a 19/01/1878 em São Leopoldo/RS com ZEFERINO COELHO NETTO, nascido a 20/04/1842 em Alegrete/RS e falecido a 25/12/1885 em Porto Alegre/RS, filho do capitão Zeferino Coelho Netto e de Cândida Francisca Pereira. Zeferino, marido de Maria Estela, foi escrivão de órfãos e ausentes de São Leopoldo e teve, deste seu casamento (pois foi casado outras duas vezes), sete filhos: Alcides, Almerinda, João, Ermelina, Zeferina, Diamantina e:
10. CAMILLA COELHO NETTO, nascida a 15/07/1884 em São Leopoldo/RS e falecida a 17/04/1902 em Porto Alegre/RS. Teve uma única filha com ERNESTO DE SOUZA LEAL FILHO ou ERNESTO DE SOUZA LEAL DE OLIVEIRA, nascido a 15/09/1863 em Osório/RS, filho de Ernesto de Souza Leal, de quem também já tratei no blog: http://pufal.blogspot.com.br/2008/08/ernesto-de-souza-leal.html, e Felisberta Antônia Inácia de Oliveira. De Camilla e Ernesto nasceu:
11. JENNY COELHO NETTO, nascida a 11/07/1901 em São Leopoldo/RS e falecida a 03/04/1984 em Porto Alegre/RS, onde casou a 18/12/1920 com FLORIANO ANTÔNIO DE LEÃO, nascido a 05/08/1899 em Porto Alegre, onde também faleceu a 26/10/1974, filho de Gasparino Antônio de Leão e Leocádia de Almeida da Soledade. Pais de:
12. N. A. DE LEÃO, nascido em Porto Alegre, onde casou com M. L. BRASIL, com quem teve dois filhos, dentre eles:
13. D. B. DE LEÃO nascida em Porto Alegre, onde casou com H. L. S. PUFAL, com quem teve quatro filhos, dentre eles:
14. DIEGO DE LEÃO PUFAL.

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FONTES DE PESQUISA:

-  Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA): livros de batismos, casamentos e óbitos de Porto Alegre, São Leopoldo e Taquari e arquivo do genealogista Jorge Godofredo Felizardo.

- Arquivo pessoal de Diego de Leão Pufal, Helder Oliveira e João Simões Lopes Filho.

- Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS): processos de inventários, livros de tabelionatos e registros paroquiais de Taquari e Porto Alegre.

- Centro de Conhecimento dos Açores – disponível em http://www.culturacores.azores.gov.pt/default.aspx

- CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar. Cultura, espaço e memória. Grupo de história das Populações. Disponível em http://www.ghp.ics.uminho.pt/software.html

2 comentários:

José Antonio Allgayer disse...

Parabéns pelo trabalho. Tenho acompanhado e lido tudo. Obrigado, Diego.

Diego de Leão Pufal disse...

Obrigado prezado José Antonio Allgayer!